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Cartola nasceu Angenor de Oliveira, em 1908, no Catete. Aos onze anos, mudou-se com os pais e os seis irmãos para o morro da Mangueira, onde moraria por mais de quarenta anos. Lá ele conheceu o futuro compositor Carlos Cachaça, então rapazola de dezessete anos, que seria seu amigo por toda a vida e o seu parceiro musical mais constante. Aprendeu com o pai a tocar cavaquinho, que depois trocaria pelo violão. Como não queria nada com os bancos escolares, foi posto a gerar renda para a família. Então “Agenor”, como era chamado (ele só iria descobrir que era Angenor, e não Agenor, ao oficializar seu casamento com dona Zica, décadas mais tarde) trabalhou primeiro como tipógrafo, depois como pedreiro – o pó de cimento das obras que caía sobre sua cabeça fê-lo adotar um chapéu-coco que ele chamava de cartola e que lhe valeu o famoso apelido. Mas gostava mesmo era de farra e malandragem, motivo por que acabou por ser expulso de casa pelo pai. Desamparado, Cartola foi peixeiro, sorveteiro, cavalariço, vendedor de queijos, cambone de macumba. Mas sempre namorador, beberrão e, acima de tudo, sambista e poeta.
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